Ouvi isso no meio da tarde e fiquei por um momento absorta na frase, tentando consentir ou discordar do que o maestro tentara descrever do sentimento de uma das sinfonias de Beethoven (a quinta), em programa televisivo.
As grandes emoções nessa vida atingem a gente na boca do estômago...
Bem, deve ser mesmo verdade. Em certo exame feito ano passado, minha gastro havia constatado que eu estava com cardite. Até saber o que era isso, fiquei deduzindo que moléstia poderia ser. "Sabe, o estômago tem uma abertura chamada cárdia. Cardite é a inflamação da cárdia". A tal da boca do estômago...
As grandes emoções da vida nem são as melhores, nem as mais duradouras. Pelo menos era o que o maestro queria dizer. Mas, no átimo, são arrebatadoras para todo o sempre. Capazes de impulsionar o nosso destino. Para cima ou para baixo.
É preciso conhecer as grandes emoções dessa vida.
O ser humano é um só.
Pia!:
desde 2/11/2007 05:24:25 PM
17.12.06

Sim, eu já fui uma bailarina. Uma única vez, pra nunca mais. Na minha escola, tinha a abertura dos jogos internos. E havia sempre apresentações de dança coreograficamente ensaiadas pelas tias, meses a fio. Eu até gostava... até o dia em que dancei Aquarela, de Toquinho, no campo do Dede, com mais um monte de coleguinhas. Uma tragédia.
Como se não bastasse eu me sentir ridícula vestida de maiô rosa e uma meia calça que sobrava na minha canela, no meio da dança, a música sumiu. Isso mesmo, a radiola pifou, a agulha quebrou, ou qualquer coisa do tipo.
"Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco..." - brummm!
E ficamos lá, todas, dançando sem música. Isso é bonito, por um lado, mas foi algo penoso. É por isso que sempre me desespero quando vejo alguma apresentação e percebo que a música não entrou na hora. Ninguém merece passar por esse constrangimento. Ainda mais quando se é criança.
Falando assim, deu saudade daquelas propagandas da Faber-castel. Que maravilhoso era viajar naquelas imagens, sonhando em ter um estojo daqueles de lápis hidrocor ou mesmo o colorido completo!
________________________
Assisti a uma apresentação de balé no Teatro Santa Roza, no último dia 15/12. Apesar da resistência ao gênero, é de fato algo que emana beleza, quando bem executado.
Pia!:
desde 12/17/2006 10:12:02 PM
11.11.06
Aconteceu de novo. E eu não estou brincando. Da primeira vez foram cachorros uivando e criancinhas gritando desesperadas. Sem contar do ser invisível que corria pela sala. Invisível, mas eu vi. "Psiiiiu" - Não pergunte.
Dessa vez as portas estavam abrindo e fechando de forma suspeita. Na calada da noite. Eu na área de serviço, quase meia-noite, ouvindo barulhos no recinto. Mas eu estava sozinha esta noite. Sozinha. Silêncio? Uma porta batendo, uma porta abrindo, uma porta fechando. Eu pergunto, eu respondo: eu consegui dormir bem? Não, eu mal consegui dormir.
Pia!:
desde 11/11/2006 06:35:59 PM
4.10.06
Esta é uma época do ano das mais especiais. É que essa cidade tem proporcionado momentos mágicos no fim da tarde. Não existe nada mais primoroso na natureza do que um belo pôr do sol. Nem ver o sol nascendo numa praia. Nem mesmo qualquer eclipse, seja de quem for.
Eu adoro o pôr do sol. Principalmente se a gente estiver passando pela cidade baixa, lá pelo Róger, e encontrar uma imagem do rio Sanhauá, com aquela mata, a Igreja de Frei Pedro ou os telhados dos casarões com o sol laranjão anunciando o final do dia... que coisa linda!
Há quem diga que o final da tarde é nostálgico. Mas, sem dúvida, é a parte do dia mais bonita. O raiar do sol vem me dizer que há todo um dia pela frente, um futuro e um caminho a ser trilhado. Mas o pôr do sol me faz pensar sobre a condição humana... em como passamos nossas vidas, sempre condicionados, não tem para onde correr.
É assim também com a natureza, não?
E mesmo assim ela é capaz de nos brindar com uma "pintura" num final de tarde, apesar do concreto e os fios e os prédios quererem dizer que existe "uma outra natureza", mais funcional e que esta natureza natural deve se condicionar à natureza construída, em que o sol pode ser apreciado também numa fotografia pendurada na parede ou no mesmo num site de internet.

Pia!:
desde 10/4/2006 09:41:40 PM
30.8.06
Só para mudar de assunto neste espaço, coloco uma citação do grande semiótico Peirce
(todos nós chamamos de Píarci, mas a pronúncia correta é Pôurse, de acordo com a professora de Gio, Lúcia Santaella, 2001):
Há três espécies de seres humanos (ou pessoas): a primeira consiste naqueles para quem a primeira coisa está na qualidade dos sentimentos. Esses homens criam a arte. A segunda consiste nos homens práticos, que levam à frente os negócios do mundo. Estes não respeitam outra coisa senão o poder, e o respeitam nos homens para quem nada parece grande a não ser a razão. Se a força lhes interessa, não é sob o aspecto do seu exercício, mas porque ela tem uma razão e uma lei. Para os homens de primeira espécie, a natureza é uma pintura; para os homens da segunda, ela é uma oportunidade; para os homens da terceira, ela é um cosmos, tão admirável que penetrar nos seus caminhos lhes parece a única coisa que faz a vida valer a pena. Esses são os homens que vemos estarem possuídos pela paixão por aprender, do mesmo modo que outros homens têm paixão por ensinar e disseminar sua influência. Se não se entregam totalmente à paixão por aprender é porque exercitam o autocontrole. Estes são os homens científicos; e eles são os únicos homens que têm qualquer sucesso real na pesquisa científica. (CP 1.43)
(...)
Mas o meu amigo Adofinho, contestador feito ele só, me remeteu à existência de outros tipos de seres humanos: os homens, a mulheres e os/as homossexuais.
Pia!:
desde 8/30/2006 10:53:41 AM
3.6.06
Pra se fazer um omelete é preciso quebrar o ovo - do prefeito da capital, Ricardo Coutinho, sobre as últimas intervenções do governo municipal na cidade, em especial no Mercado Central.
Recebo essa missão como o reconhecimento do trabalho que venho fazendo em prol do esporte, pois no ano passado fizemos um campeonato de futebol que foi um dos maiores eventos do planeta - do ex-vereador e agora secretário estadual de esportes, Marconi Paiva, falando sobre a nova missão que terá à frente da Secretaria de Esportes na gestão estadual.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Razão e sensibilidade
O conhecimento é assim, a gente o alcança por duas vias: ou pelo pensamento, ou pela experiência sensorial. É o que diz a filosofia. Eu percebo que a modernidade, racional por si só, atualmente vem virando de ponta a cabeça, e cada vez mais realizando o conhecimento experienciado. É o estar junto do tempo das tribos, o sentimento coletivo de dor, alegria, felicidade e insegurança. É a experiência vivida no campo das possibilidades, como ver e tocar o átomo. Alguém dúvida da realidade virtual?
Frases como "o sofrimento ensina", "aprender na porrada" e outras, sempre me cheiraram a apelação. Moderna que sou (ou penso que sou, e aí eu digo penso), prefiro a polidez das palavras acertadas, do raciocínio equilibrado. Mas, de onde vem tal equilíbrio, senão da junção entre razão e sensibilidade?
Não optaria por qualquer um desses modos de ver e conhecer o mundo. Lévy nos diz que a realidade virtual nos lança novas experiências sensoriais capazes de nos fazer perceber o mundo de maneira diferente. Pode ser, e por isso mesmo eu sinto (e aí é sensação mesmo), que os espaços de interação na realidade virtual estão cada vez mais inseguros (possivelmente violentos ou invasivos), em que não se pode confiar em estranhos. Muito menos falar com.
Tais sentimentos coletivos, e aí me reporto à influência da mídia no sentido de disseminar essas impressões através das informações (apelando ao sensacionalismo em algumas ocasiões), ou até mesmo o rigor científico de achar que só existe o que pode ser comprovado cientificamente, constituem as maiores certezas e enganos que temos sobre o conhecimento. Seria o conhecimento uma construção humana? Onde fica a verdade diante disso tudo?
Ah, no final, é tudo paranóia.
Pia!:
desde 6/3/2006 06:37:25 PM
14.4.06
fragmentos da vida cotidiana de um casal:
- Você conseguiu manchar a toalha TO-DA! Olha pra isso!
- Isso aqui é fenoftaleína, minha filha.
- A toalha está toda rosa. Por acaso você está menstruado?
- MINHA FILHA, isso é fenoftaleína. Deve ser de algum produto que eu estou usando. Pode ver que quando entra em contato com o amaciante da toalha fica dessa cor. Mas quando lava sai.
- ...
(...)
Eu quase faria nesse post um super artigo sobre a concepção marxista no filme Fuga das Galinhas, num contraponto com Nem que a Vaca Tussa. Percebam, meus queridos cinéfilos, que ambos os filmes partem do contexto da fazenda, sendo que no primeiro é notória a relação de exploração entre o patrão (no caso, a patroa) e o proletariado galinheiro. No outro a relação patriarcal anula completamente a noção de exploração. Muito pelo contrário. Em Nem que a Vaca Tussa, a bicharada vai tentar salvar a propriedade da senhora patroa da fazenda das garras do terrível e malvado Sr. Smith. E essa união em prol do rancho se valida pela unidade familiar entre a dona dos bichos e os próprios.
Em A Fuga das Galinhas, a patroa, percebendo a baixa produtividade do galinheiro, decide potencializar a produção criando uma fábrica de tortas... de galinha.
E assim se trava todo o embate de fuga das galinhas, numa referente alusão à idéia marxista de emancipação. É preciso voar, talvez como as águias, e não se contentar apenas com os grãos rasteiros para ciscar.
Eu sei que aqui mereceria uma explicação mais aprofundada sobre o tema, mas como eu disse, isso não é um super artigo e minha intenção foi apenas pontuar um pouco e atentar nossas mentes para a relação filme/autor.
Outro filme cuja temática merece destaque é Madagascar. A obra faz uma bela contraposição entre a natureza dada e mundo construído pelos humanos, em que os próprios animais perdem a identidade de seu habitat, ficando em dúvida sobre o que seria melhor: o zoológico de Nova Iorque ou a mata selvagem da ilha? Um belo dilema, que permeia inclusive nós, humanos.
E antes que venha algum especialista me desbancar, percebam aqui uma carga de gracejo. Mas que esses filmes dariam grandes teses sociológicas, isso dariam.
(...)
- É claro que eu sei o que é fenoftaleína, meu querido. É o sangue do diabo...
Pia!:
desde 4/14/2006 09:08:44 AM
5.3.06

Essa é uma foto típica 001. Cada um com a sua pose mais esquisita. Mas se não fosse assim, não seria o 001, não é? Bem, a qualidade não está lá essas coisas (não mesmo), mas é porque eu fotografei uma foto do meu álbum.
Isso tudo pra agradecer a presença e companhia de vocês em um dia tão bacana na minha vida, que foi o meu casamento (apesar de que eu estava um pilha e era capaz de fuzilar um nesse dia, pode acreditar).
Destaque para Dina, que foi confundida com a juíza; Théo, de terno (!); Leíza, que só queria ser "a" amiga da noiva; Luís, perto de Luís, até Anderson parece baixinho; Larissa, nunca a vi tão elegante...
Os mais atentos perceberão a ausência de Bruno... na verdade ele estava na ponta, perto de Fafá e Ximenes, e eu só me dei conta de que o cortei perto de postar... Logo ele, que estava com sua cabeleira estilo Lúcio Vilar...
Muita coisa pra se lembrar nessa festa.
Pia!:
desde 3/5/2006 09:08:50 PM
27.2.06
Hoje eu acordei com aquela preguiça de Dorival Caymmi... E pra quebrar o silêncio nesses dias nada melhor que um bom Tempo Perdido. Fico aqui pelos cantos divagando, pensando, ruminando. Eu penso em qualquer coisa, mas invariavelmente sempre me estala a sensação de que eu vou morrer, não tenho pra onde fugir. Bem, alguém pode retorquir que isso não é lá grande coisa, pois é o caminho de todos. Mas que isso me incomoda, incomoda.
Nesses momentos a única certeza que tenho é a de tocar o meu corpo e sentir que estou nele. Ainda. Daí eu percebo que realmente estou viva e faço parte de um plano (ou estaria num jogo?) em que, por alguma razão, eu tenho de me manifestar. Porque nesse caso não cabe a indiferença. Não mesmo.
Tenho até medo do que vou dizer, mas vez por outra fico imaginando o meu velório (eu não estou agourando, mas também não faz diferença). Isso mesmo. Meio sombrio pra se imaginar, né?
E quando todas essas sensações repetitivas se esvaem, eu observo o meu cotidiano e o quanto vale a pena seguir as minhas escolhas. É como quem diz assim: "Acorda, que a vida está passando!"
Que coisa...
E eu ainda pensando em fazer um regime.
Pia!:
desde 2/27/2006 06:37:59 PM
29.1.06
Querido diário,
Hoje eu preciso escrever e pôr os meus demônios para fora. Os dias não têm sido nada fáceis. Na verdade, talvez eu é que complique ainda mais as coisas. Descobri que eu sou feito peru, e morro de véspera. Sofro de uma ansiedade que me consome o estômago. Se fico sabendo que o dia não vai ser bom, pronto, antes mesmo que as coisas aconteçam eu já estou tendo uma convulsão interna. Que coisa!
Como eu não demonstro, ou melhor, as pessoas ainda não sabem reconhecer a minha forma de reagir, então fudeu pra mim. Eu faço aquela cara de castanha e fico apenas mentalizando o caso. Merda, merda!
Uma das minhas maiores atribuições, dizem os amigos, é que eu sou bastante por demais expressiva. Pois é, nesses momentos de tensão eu queria saber que cara eu faço...
Bem, vocês que visitam o meu blog querem saber o que está acontecendo, oquei? Eu pedi demissão e tive um diálogo importante, que me fez desfazer o pedido. No fundo, no fundo, eu acho o meu trabalho uma coisa ímpar na minha vida. Meu trabalho me faz ver muitas coisas não muito legais, outras, legais por demais. Só que tem hora que dá vontade de jogar tudo pra cima e mandar todo mundo se lascar. No fundo, no fundo, é hemorróida!
Apesar de afetada, seqüelada e descompensada, sei que estou numa das áreas mais carentes e dignas dessa cidade. Pensando melhor, eu me pergunto o que deve fazer um assessor de uma cidade feito o Rio de Janeiro. Aquilo sim é que o caos institucionalizado! Se bem que tem gente pra tudo nesse mundo, mas juro que não agüentaria ver aquilo que passa na tevê e me comportar feito uma escrota. Eu ainda não cheguei a esse estágio.
Rá, tem gente que diz que eu faço mestrado em Sociologia. E eu até me atrevo a dizer isso. Mas enquanto tenho a noção de que o povo de lá fica devorando livros, eu passo os dias devorando meu próprio estômago... Pra piorar, descobri que tenho até junho para fazer a qualificação da dissertação (tenho oito páginas escritas!). E até fevereiro para entregar 3 ensaios, que serão as minhas primeiras notas nesse curso.
Puta que o pariu!
Bem, eu vou terminar por aqui.
Pia!:
desde 1/29/2006 07:27:05 AM
